Rubi : A pedra do mês de Julho

 

| 29 Jul 2020 | Blog | Por Mel Bandeira | Preciosa |

Rubi em diferentes formatos. Fonte GIA.

Conhecido por reinar sobre todas as pedras, o Rubi, a pedra do mês de julho, é admirada desde o inicio da humanidade e deve seu nome à sua cor vermelha do latim rubeus. Estimada pela realeza e pelo clero através dos tempos, a pedra da paixão e do amor tem sua história marcada por lendas e escrituras na bíblia. Uma menção no livro sagrado cristão cita que o preço da sabedoria está acima dos rubis, atribuindo o valor á virtude e a pedra.

A Pedra do Poder
Associado ao poder e a juventude, ao Rubi era creditada a previsão de infortúnios e perigo, além de poderes curativos para problemas inflamatórios e acalmar pessoas com os nervos em flor. Entre os gregos e os romanos a pedra era conhecida pelo seu poder talismânico e astrológico. A maioria das joias desta época apresentavam a técnica de granulação, contas de ouro e as gemas gravadas com selos. Joias autênticas deste período são raramente encontradas e a maioria delas estão hoje em museus ao redor do mundo.1. Broche em ouro safiras e rubis, século 13 | 2. anel em ouro e rubi, século 13/14 | Fonte: British Museum

Na idade média acreditava-se que o rubi garantia saúde, riqueza, sabedoria e sucesso no amor. As joias do período medieval eram associadas as peças de vestuário como botões, fechos, cintos e broches e apresentava as técnicas de filigrana , esmaltação e as pedras na lapidação cabochão. Os camafeus e intaglios herdados dos romanos também aparecem neste período. 

Dinastia Mughal
Fascinados por gemas desde os primórdios, textos antigos revelam que os indianos se adornam com joias há vários séculos. As joias eram feitas para homens, mulheres, animais ou divindades. Estes registros contém referências ao uso extensivo de rubis em peças usadas tanto em cerimônias especiais como no dia a dia dos indianos.

Fortemente influenciada pelos conquistadores chamados Mughals no período entre 1526 a 1761, a joalheria indiana apresentava gemas coradas como rubis e esmeraldas combinadas com pérolas e diamantes, além de intricados trabalhos de esmaltação criando um estilo único chamado Kudan. Muito ainda da joalheria atual indiana é inspirada no período Mughal.1. Peça em ouro, rubis esmeralda e pérola barroca.  | 2. Par de abotoaduras. Ambos da Dinastia Mughal |Fonte: British Museum

Na renascença a joalheria tem seu esplendor artístico e passa a ter seu uso mais amplo e eram vistas adornando não somente o o clero ou a aristocracia mas também as classes menos abastadas da época. Neste período motivos como ninfas e centauros adornavam as joias europeias com rubis vindos das minas do Sri Lanka.

1. Pendente em ouro e platina, rubis, safiras  e pérolas. Séc. XVI / XVII  | 2. Anel em ouro e rubi Séc. XIV | Fonte: Metropolitan Museum

No periodo Eduardiano a platina teve seu auge e os joalheiros dominavam o metal de qualidade e maleabilidade únicas criando detalhadas tiaras, finas malhas do metal e guirlandas com laços delicados e que se tornaram a marca do período dominante na Inglaterra. O Art Nouveau, diferentemente da era Eduardiana, aonde os desenhos são mais limpos e inspirados nas culturas grega e romana, traz ao restante da Europa joias com formas orgânicas, fluidas e inspiradas na natureza.

1. Colar em platina, rubis, diamantes  e pérolas. Período Eduardiano  | 2. Colar em ouro e platina com rubis, esmeraldas, pérola e diamantes Período Art Nouveau | 3. Colar em ouro, granadas dermatoides e rubis, Período Art Nouveau | Fonte: Christie’s, Macklowe Gallery e 1Stdibs

Movimento Art Decó
As descobertas arqueológicas traziam o encantamento do misterioso Império Egípcio ao período Art Decó com a abertura da tumba do faraó Tutancâmon em uma era marcada pela emancipação feminina, pelo o crescimento industrial, a produção em massa e o interesse pelo jazz e tudo relacionado à cultura  africana. A moda trazia uma explosão de cores vibrantes como o vermelho, o verde, o azul em combinações com o preto e o branco.  Os arranha-céus marcavam os contornos das grandes cidades e os motivos geométricos eram combinados com cores fortes, referências do Egito antigo, desenhos africanos e orientais em joias adornadas pelo uso do ônix, de rubis, de esmeraldas, de safiras e muito, muito diamante.

1. Anel em platina, rubis, diamantes  | 2. Colar em platina contendo 149 rubis e diamantes | 3. Anel em platina com rubis e diamantes  | Fonte: Macklowe Gallery e Christie’s  

Um dos registros mais antigos de extração do rubi, vem de Mogok em Myanmar. Por mais de cinco séculos essa região de solo de  marmore dolomítico e de belíssimos templos budistas, produziu os mais magníficos rubis. Durante os anos de 1900 os depósitos de rubi encontravam-se na fronteira entre a Tailândia e o Camboja.

Landscape of a Mogok town where the July birthstone ruby is mined, with a green mountainside and lake created from gem mining in British colonial times.Cidade de Mogok  Fonte: Vincent Pardieu / GIA

Outras importantes fontes do mineral incluíam o Afeganistão, Tajiquistão, Paquistão, Sri Lanka, Quênia, Tanzânia e Madagascar. A partir do século 20 o Vietnam também passou a ser um importante produtor do mineral nas regiões de Luc Yen e Quy Chau district.  Hoje, as minas de Montepuez em Moçambique são as mais novas produtoras da gema de julho, sendo seus rubis comparáveis aos famosos encontrados em Mogok.

Confira nossa seleção de joias com delicados rubis.

Resistente ao Tempo
Sendo o mineral mais duro seguido apenas do diamante, o rubi é uma pedra perfeita e indicada para o uso diário pela sua resistência e indiscutível beleza. Da família das safiras e pertencente ao grupo do Coríndon, a gema de julho, tem como seu componente corante o cromo e nos tons mais acastanhados também o ferro. A cor mais apreciada é conhecida como o “sangue de pombo”, de um vermelho puro com uma leve tonalidade azulada. 

Acredita-se que o rubi é capaz de promover vitalidade, estimular o chacra cardíaco e a paixão pela vida. Além de bela, poderosa e resistente ao tempo, a gema do mês de julho, marca as celebrações dos 15 e dos 40 anos de casamento e também é presenteada aos formandos de Direito.  Já sabe qual a pedra do próximo mês? Fique de olho no nosso  Preciosa, até lá.



A criatividade sempre esteve presente na vida de Mel Bandeira e o caminho para o design de joias aconteceu de forma natural. Graduada em Desenho Industrial com habilitação em Design de Produto e especialização em Design de Joias, a designer trabalhou por mais de quinze anos para empresas do setor tanto no Brasil quanto no exterior. Em quase uma década vivida em Londres, Mel trabalhou para empresas de acessórios, bijuterias, joias e alta joalheria. A bagagem na área foi sendo construída através de cursos sobre técnicas de ourivesaria, design, modelagem 3D, gemologia e atuação na indústria joalheira. Desde 2016, após seu retorno ao Brasil, assina sua própria linha de joias mesclando técnicas da joalheria tradicional às mais novas tecnologias da área com delicados talismãs para o dia a dia – Joias com significado e alma.

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